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Portugueses na Austrália: cerca de metade da população migrante portuguesa reside na grande Sydney

A maioria dos australianos continua a viver nos estados continentais da costa leste do país. Em 2016, aproximadamente 77% viviam em Nova Gales do Sul (32%), Victoria (25%) e Queensland (20%) (Censo, 2016). De acordo com o Censo de 2016, o estado de Nova Gales do Sul, que tem Sydney como capital, continua a ser o território mais popular para se viver tanto para o total da população residente nascida no exterior (34%), quanto para os imigrantes portugueses (53%).

Local de Residência (estados)

Gráfico elaborado pelo projeto “Trânsitos”, valores de Australian Bureau of Statistics – Census 2016

A primeira vaga de migrantes portugueses ocorreu durante a década de 50 do século XX, maioritariamente com habitantes da Ilha da Madeira em direção a Fremantle, na Austrália Ocidental. Desde então, Perth e a Austrália Ocidental, em geral, têm sido um destino frequente para estudantes e trabalhadores qualificados portugueses, o que explica a maior presença deste grupo neste estado em comparação com a população australiana e a população nascida no exterior como um todo.

 Portugueses – Ano de chegada a Nova Gales do Sul, Austrália  

Gráfico elaborado pelo projeto “Trânsitos”, valores de Australian Bureau of Statistics – Census 2016

Em 2016, a maioria dos migrantes portugueses continua a viver em Nova Gales do Sul (53%), dos quais 82% residiam na grande Sydney. Muitos deles chegaram ao estado entre 1966 e 1975 (39%) e continuaram a chegar nas décadas seguintes: 1976-1985 (18%) e 1986-1995 (21%). Na viragem do século, a chegada de migrantes portugueses diminuiu acentuadamente (3,7%). No entanto, em meados da primeira década do século XXI, a chegada de portugueses voltou a aumentar (10%). O aumento recente e significativo da população portuguesa em Nova Gales do Sul é evidente e crucial para a nossa pesquisa, abrindo novas questões sobre a configuração, projetos e aspirações destes recém-chegados.

BI Alemanha: alguns indicadores de emigração e imigração

Estima-se que seis milhões de pessoas deixaram a Alemanha entre 1820 e 1920. Uma grande parte emigrou para os EUA. Porém, com o crescimento económico decorrente da Revolução Industrial e da incursão no comércio internacional, o número de imigrantes no país ultrapassou o número de alemães que partiram.

Nos anos 50 e 60 do século XX, o modelo tradicional de recrutamento e emprego temporário de trabalhadores estrangeiros, contemplou países tais como: Itália (1955), Grécia e Espanha (1960), Turquia (1961), Marrocos (1963), Portugal (1964), Tunísia (1965) e antiga Jugoslávia  (1968). Embora os números da imigração permanecessem modestos durante os anos 80, rapidamente voltaram a crescer no início dos anos 90.

Contrariamente a Portugal que é o país da União Europeia com menos imigrantes, a Alemanha é o país na Europa, e o segundo no mundo, depois dos EUA, com o maior número de imigrantes. Em 2015, de acordo com a ONU, apresentava uma taxa de imigração de 14.5%, contra uma taxa de emigração de 4,9%.

Entre os principais países de destino, 40% dos emigrantes alemães escolheram os EUA, 23% a Suíça e 21% o Reino Unido. Portugal representou apenas 2% desses fluxos em 2015. Apesar disso, de 2010 a 2015, o número estimado de alemães em Portugal aumentou, o que pode indicar uma tendência crescente (ONU, 2015).

Segundo o Destatis, 82,7 milhões de pessoas viviam na Alemanha em 2017. No mesmo ano, a taxa de imigração correspondia a 12,9%. No que diz respeito à população imigrante na Alemanha, a Turquia (14%), a Polónia (8,2%) e a Síria (6,6%) constituíram os três principais países de origem. Os portugueses representavam apenas 1,4% (146 810) dos imigrantes residentes, sendo que 25% chegou nos últimos oito anos (Destatis, 2017).

Dos 10,6 milhões de imigrantes a viver no país, 13% nasceu na Alemanha, embora não tenha nacionalidade alemã. Por exemplo, 28% dos turcos residentes nasceram na Alemanha, assim como 24% dos italianos e 21% dos sérvios. Entre os imigrantes portugueses, a percentagem não ultrapassa os 16% de nascidos em território alemão.

BI Australia: alguns indicadores de emigração e imigração

Historicamente, mais pessoas imigram para a Austrália, do que emigram a partir da Austrália. A imigração para a Austrália moderna começou em 1788, quando a primeira colónia britânica foi estabelecida: “Crown of New South Wales”. Tal como o Canadá, atualmente a Austrália tornou-se num país de imigração.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a população australiana quadruplicou devido aos programas de incentivo à imigração. Centenas de milhares de imigrantes de toda a Europa e do Médio Oriente chegaram à Austrália. Após a abolição da política da “Austrália Branca” em 1973, que excluía a imigração não europeia, várias iniciativas governamentais promoveram a harmonia étnica baseada numa política multicultural.

Segundo o Censo Australiano de 2016, havia 23,4 milhões de pessoas a viver na Austrália. Em 2016, 49% dos australianos haviam nascido no exterior (28,5%) ou tinham pelo menos um dos pais que havia nascido no exterior (20,5%). As pessoas nascidas no Reino Unido (3,9%) continuaram a ser o maior grupo de residentes nascidos no exterior, seguidas por pessoas nascidas na Nova Zelândia (2,2%), na China (2,2%) e na Índia (1,9%). O Censo de 2016 contou com 15 806 pessoas nascidas em Portugal (0,1%).

Em 2015, as Nações Unidas estimaram que 526 579 australianos viviam fora da Austrália (2,2%), indicando que os movimentos de saída são menos relevantes do que os de entrada. Emigrantes australianos encontravam-se a residir principalmente no Reino Unido (26%), EUA (15%) e Nova Zelândia (12%). No mesmo ano, Portugal representava apenas 0,3% dos fluxos de saída da Austrália durante o século XXI.

BI Angola: alguns indicadores de emigração e imigração

Segundo a ONU, Angola teria em 2015 cerca de 555 mil emigrantes a residir no estrangeiro. O número corresponde a 1,9% do total da população angolana. A mesma fonte indica que os angolanos emigraram principalmente para a vizinha República Democrática do Congo (33%) e Portugal (27%). Se com a RDC desde há muito tempo que as populações do norte de Angola circulam entre os dois lados de uma fronteira imposta pela colonização, com Portugal as relações históricas envolvem diferentes fases e um passado colonial complexo e dinâmico.

Angola tem vindo a assumir-se como uma potência regional no contexto da África subsariana. Desde 2002, com o fim da guerra civil, que o país tem atraído imigrantes com diferentes perfis socioprofissionais, económicos e culturais. Os dados da ONU registaram a presença de 106.845 imigrantes em Angola para o ano de 2015, o que equivale a apenas 0,4% da população do país de destino. Num contexto vasto de fluxos migratórios globalizados, encontramos entre as três nacionalidades mais representadas a RDC (40%), Portugal (15%) e Cabo Verde (10%).

Comparando os países analisados no projeto (Portugal, Alemanha, Austrália), Angola é aquele que apresenta um menor número de entradas e saídas de movimentos migratórios.

Quem é Portugal na geografia das migrações contemporâneas?

Tal como outros países europeus Portugal tem uma longa história de emigração que remonta ao passado colonial. A imigração, por sua vez, é um fenómeno relativamente recente. Depois da imigração ter superado a emigração durante quase três décadas, com início em 1974, assistiu-se a um défice migratório crescente a partir de meados dos anos 2000. Portugal é a partir de 2011, novamente, um país de emigração, com valores superiores a 100 mil saídas por ano. Ou seja, a níveis que, na história recente, só têm paralelo com os movimentos populacionais dos anos 60 e 70 do século XX.

Segundo a ONU, Portugal apresentava em 2015 uma taxa de emigração de 22,3% contra uma taxa de imigração de 8,1%, sendo simultaneamente origem de migrações para países mais com economias mais estáveis na Europa – Reino Unido, Suíça e Alemanha – e destino de migrações com origem em Cabo Verde, Roménia e Brasil. Considerando os quatro países analisados no projeto, Portugal não apenas tem a maior percentagem de saídas como se distancia bastante dos restantes neste indicador (Alemanha: 4,9%; Austrália 2,2%; Angola: 1,9%). A mesma fonte indica que do total de portugueses emigrados (2 306 321), 4% estariam na Alemanha (98 464), 1% na Austrália (20 044) e 1% em Angola (15 528). Os dados da ONU registaram a presença de 837 257 imigrantes em Portugal, em 2015, entre os quais os angolanos correspondem a 18% do total dos fluxos (151 273), os alemães a 3% (26 048) e os australianos apenas a 0,1% (1 164).

Portugal: um dos países da União Europeia com menor número de imigrantes

Entre os países da União Europeia (UE28) Portugal ocupa o vigésimo primeiro lugar, com apenas 3.8%, no total de residentes estrangeiros (Observatório das Migrações).

Com a crise europeia dos últimos anos, onde os efeitos da contração económica e do trabalho foram mais acentuados em Portugal do que em muitos outros países da União Europeia, Portugal registou diminuições sucessivas no número de estrangeiros. Porém a partir de 2015, segundo os dados da Eurostat, não só o número de estrangeiros residentes em Portugal voltou a crescer (gráfico 1), como a estrutura das dez nacionalidades mais representativas se alterou (gráfico 2).

Gráfico 1: Migrações internacionais (movimentos permanentes) de e para Portugal, 2006-2016

Gráfico elaborado pelo Projeto Trânsitos, valores do Eurostat, Database on Population and Social Conditions, Demography and Migration (pop).

Apesar da redução registada em relação ao ano de 2015 (- 1.6%) o Brasil manteve-se como a nacionalidade mais expressiva em 2016, representando 20.4% do total de estrangeiros residentes. A seguir aos brasileiros, surgem os cabo-verdianos (9.2%), os ucranianos (8.7%), os romenos (7.7%) e os chineses (5.7%) que cresceram 5.5% face ao ano anterior.

Gráfico 2: Nacionalidades mais representativas de estrangeiros residentes em Portugal

Gráfico elaborado pelo Projeto Trânsitos, valores do SEF.

Por outro lado, há cada vez mais cidadãos de países da União Europeia a escolher Portugal para viver. Os franceses registaram um crescimento de 33.8% em relação ao ano de 2015, e em 2016 ocupavam o nono lugar (2.8%) à frente dos espanhóis (2.8%). Já o Reino Unido ocupava o sexto lugar (4.9%), com um crescimento de 12.5%, ultrapassando Angola (4.3%) e a Guiné Bissau (3.9%). As alterações registadas justificam-se em grande parte pelas aquisições de nacionalidade portuguesa de cidadãos extracomunitários.

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