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Categoria: Austrália

Migrações e migrantes nos media

Despedida de emigrantes portugueses (DN); Manifestação a favor de Refugiados na Alemanha (Reuters/Fabrizio Bensch); Centro de detenção imigrantes na ilha de Manus na Austrália (Reuters)

A análise dos media é uma tarefa de constextualização, cujo objectivo é ajudar a compreender as representações prevalentes dos migrantes e do temas das migrações e, por outro, as representações prevalentes dos contextos abrangidos pelo nosso projecto (Portugal, Angola, Austrália e Alemanha).

Em cada um dos países, foram seleccionados veículos imprensa escrita de acordo com a sua representatividade em termos de circulação, influencia na formação da opinião pública e tendência para reproduzir o conteúdo de outras publicações nacionais. As notícias foram consultadas nos sítios online dos jornais. O período abrangido pela recolha foi o decorrido entre Janeiro de 2017 a Junho de 2018.

A tarefa encontra-se ainda a decorrer, sendo que se encontra finalizada, em Portugal, a recolha e análise preliminar dos jornais Público e Diário de Notícias, dos quais se recolheram um total de 818 peças jornalísticas.

Os temas relacionados com migrações mais abordados por estes dois jornais foram, em primeiro lugar as políticas migratórias restritivas em países como os Estados Unidos, aItália e a Hungria, e em seguida os fluxos migratórios no mar Mediterrâneo. Ao nível nacional, os principais tema relacionados com a imigração foram  Vistos Gold e  regularização de imigrantes. Dentro da emigração, o protagonismo foi dado ao número de emigrantes, e atenção dada a algumas profissões.

A Austrália aparece em notícias relacionadas com a criminalidade, nomeadamente o terrorismo e a pedofilia. No universo das notícias relacionada com a Austrália, o tema das migrações surge sobretudo relacionado com a detenção ilegal de refugiadosNas notícias que retratam portugueses na Austrália, a aprticipação  em eventos de surf surge em destaque. Não existem notícias sobre australianos em Portugal.

Angola surge sobretudo em notícias relacionadas com a crise económica, a transição política entre Santos e Lourenço e a operação Fizz. Relativamente à migração em Angola, existem sobretudo notícias sobreas políticas migratórias do país. As notícias sobre Portugueses em Angola focam sobretudo as relações diplomáticas e económicasO número de notícias sobre Angolanos em Portugal é muito reduzido, sendo que estas focam o número de Angolanos que vivem em Portugal, e as dificuldades dos estudantes Angolanos em receberem dinheiro.

As notícias sobre a Alemanha, retratam o país com uma economia forte e com  influência na economia da Europa e de Portugal. As notícias sobre migrações na Alemanha focam sobretudo a criminalidade  contra imigrantes e reacionarismo relativamente à imigraçãopolíticas migratórias e refugiados. Os portugueses na Alemanha surgem reratados em notícias sobre enfermeiros e empresas portuguesas em feiras de negócios na Alemanha. As notícias sobre alemães em Portugal focam sobretudo empresas alemãs.

 

 

 

 

 

Portugueses na Austrália: cerca de metade da população migrante portuguesa reside na grande Sydney

A maioria dos australianos continua a viver nos estados continentais da costa leste do país. Em 2016, aproximadamente 77% viviam em Nova Gales do Sul (32%), Victoria (25%) e Queensland (20%) (Censo, 2016). De acordo com o Censo de 2016, o estado de Nova Gales do Sul, que tem Sydney como capital, continua a ser o território mais popular para se viver tanto para o total da população residente nascida no exterior (34%), quanto para os imigrantes portugueses (53%).

Local de Residência (estados)

Gráfico elaborado pelo projeto “Trânsitos”, valores de Australian Bureau of Statistics – Census 2016

A primeira vaga de migrantes portugueses ocorreu durante a década de 50 do século XX, maioritariamente com habitantes da Ilha da Madeira em direção a Fremantle, na Austrália Ocidental. Desde então, Perth e a Austrália Ocidental, em geral, têm sido um destino frequente para estudantes e trabalhadores qualificados portugueses, o que explica a maior presença deste grupo neste estado em comparação com a população australiana e a população nascida no exterior como um todo.

 Portugueses – Ano de chegada a Nova Gales do Sul, Austrália  

Gráfico elaborado pelo projeto “Trânsitos”, valores de Australian Bureau of Statistics – Census 2016

Em 2016, a maioria dos migrantes portugueses continua a viver em Nova Gales do Sul (53%), dos quais 82% residiam na grande Sydney. Muitos deles chegaram ao estado entre 1966 e 1975 (39%) e continuaram a chegar nas décadas seguintes: 1976-1985 (18%) e 1986-1995 (21%). Na viragem do século, a chegada de migrantes portugueses diminuiu acentuadamente (3,7%). No entanto, em meados da primeira década do século XXI, a chegada de portugueses voltou a aumentar (10%). O aumento recente e significativo da população portuguesa em Nova Gales do Sul é evidente e crucial para a nossa pesquisa, abrindo novas questões sobre a configuração, projetos e aspirações destes recém-chegados.

BI Australia: alguns indicadores de emigração e imigração

Historicamente, mais pessoas imigram para a Austrália, do que emigram a partir da Austrália. A imigração para a Austrália moderna começou em 1788, quando a primeira colónia britânica foi estabelecida: “Crown of New South Wales”. Tal como o Canadá, atualmente a Austrália tornou-se num país de imigração.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a população australiana quadruplicou devido aos programas de incentivo à imigração. Centenas de milhares de imigrantes de toda a Europa e do Médio Oriente chegaram à Austrália. Após a abolição da política da “Austrália Branca” em 1973, que excluía a imigração não europeia, várias iniciativas governamentais promoveram a harmonia étnica baseada numa política multicultural.

Segundo o Censo Australiano de 2016, havia 23,4 milhões de pessoas a viver na Austrália. Em 2016, 49% dos australianos haviam nascido no exterior (28,5%) ou tinham pelo menos um dos pais que havia nascido no exterior (20,5%). As pessoas nascidas no Reino Unido (3,9%) continuaram a ser o maior grupo de residentes nascidos no exterior, seguidas por pessoas nascidas na Nova Zelândia (2,2%), na China (2,2%) e na Índia (1,9%). O Censo de 2016 contou com 15 806 pessoas nascidas em Portugal (0,1%).

Em 2015, as Nações Unidas estimaram que 526 579 australianos viviam fora da Austrália (2,2%), indicando que os movimentos de saída são menos relevantes do que os de entrada. Emigrantes australianos encontravam-se a residir principalmente no Reino Unido (26%), EUA (15%) e Nova Zelândia (12%). No mesmo ano, Portugal representava apenas 0,3% dos fluxos de saída da Austrália durante o século XXI.

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