Image of a stylised map of central Lisbon; Source unknown

Nos meus 2 posts anteriores sobre Lisboa, apresentei a migração em relação ao turismo e em relação ao colonialismo. Neste blog post, vou apresentar Lisboa como cidade ao iniciar o trabalho de campo etnográfico como parte deste projeto de pesquisa, o TRANSITS.  Chegada à cidade e ao país no final do ano passado, ofereço as impressões pessoais de uma migrante.

Lisboa é a capital de Portugal, embora talvez não tão movimentada quanto muitas capitais do mundo. De fato, a vida aqui move a passos lentos, a um ritmo em que tomar um café talvez seja mais importante do que chegar a tempo para uma reunião agendada. Isso pode ser lindo e, ao mesmo tempo, desconcertante para um estranho. A pessoa acostuma-se e aprende a apreciar esses aspetos mundanos da vida quotidiana nesta cidade em crescimento.

A cidade em si é parte de uma região ou distrito mais amplo, e parece crescer de uma pequena área “baixa”, enquanto o rio Tejo se contrai para dentro. Este centro da cidade está repleto de encostas que causam dores nas pernas e belas vistas de onde se pode apreciar a paisagem urbana. Esta área em si dificilmente é habitada, exceto pelos turistas que se substituem uns aos outros continuamente, e os numerosos novos cafés e restaurantes sofisticados (“hipster”). Aqui, há muitas compras para fazer e muitas fotos para tirar.

Images by author (Sinead D’Silva)

Ao longo da costa, para dentro, as áreas de escritórios da “Expo”, ou Parque das Nações, refletem uma área comercial diferente de Lisboa – não é tão dedicada ao turismo, mas reflete alguma parte da agitação esperada de uma cidade capital. À medida que a cidade se estende para o Oceano Atlântico, as áreas residenciais tornam-se mais comuns. Uma mistura de casas intencionais construídas durante o Estado Novo e novos empreendimentos saúdam-nos, uma mudança dos pitorescos edifícios emblemáticos do centro da cidade.

Mais longe no comboio na Grande Lisboa, as paisagens residenciais tornam-se mais visíveis, por vezes necessitando de manutenção; e a agitação da cidade desaparece. Mais adiante, percebe-se uma mudança na paisagem revelando diferenças de classe sociais. Indo daqui para norte é-se cumprimentado por quintas e montanhas. Chegamos a Sintra. Continuando ao longo da costa, encontramo-nos em Cascais, um local moderno à beira-mar. Do meu ponto de vista, percebe-se também uma sugestão de mais dinheiro no ar, às vezes observável através dos trajes e sotaques. É interessante notar como a cidade parece ser etnicamente diversa, o que para as cidades europeias parece surpreendente. Porem, quando a cidade repousa, os diferentes lugares a que as pessoas chamam de lar sugerem uma disparidade de classe racial.

Images by author (Sinead D’Silva)

Esta é a paisagem urbana de Lisboa. Ao navegá-la, já descobri que outros a navegam de forma diferente.