No primeiro post do blog sobre a migração para Portugal, tentámos traçar as tendências recentes na migração com o turismo, como um caminho que facilita o mesmo. O objetivo era destacar as maneiras pelas quais a ideia de uma economia idílica, relaxada, barata e ainda em desenvolvimento resulta em pessoas atraídas pela geografia. No entanto, esta não é a única causa, e a migração não é nova para Portugal. Desde os anos 1400, Portugal foi um país colonizador e permaneceu assim até o final dos anos 1900. Foi somente em 1974 que a descolonização como um processo foi iniciada, após o derrube da ditadura de quase 50 anos através do que veio a ser chamado de Revolução dos Cravos. A colonização portuguesa contemplou o movimento de pessoas e coisas entre colónias e o colonizador.

Alimentados pela riqueza da Igreja Católica e da nobreza, navios portugueses zarparam dos portos do país e da vizinha Espanha, começando primeiro pelo continente africano. As principais agendas eram, portanto, conversão (ao catolicismo) e comércio. Assim, houve um fluxo sistemático de pessoas na direção das colónias para fins de governar e extrair recursos. No entanto, outro aspecto era importante para o comércio, o do “comércio” de trabalho, ou seja, os humanos, particularmente do continente africano, no chamado Tráfico de Escravos. Lisboa viu a primeira “remessa” de escravos chegar das chamadas “descobertas” no continente africano em 1441. O tráfico de escravos nada mais era do que uma afirmação de poder para ajudar a construir nações com base na supremacia branca racista, e Portugal registrou o maior número de pessoas traficadas.

Ao longo dos anos, e sob a crença de que Portugal não tinha “colónias”, mas sim extensões do mundo português, houve movimentos significativos de pessoas, em grande parte da Europa para as colónias, mas também vice-versa. O objetivo do colonialismo português era construir uma cultura portuguesa através da geografia, feita substituindo a cultura e a língua locais. No entanto, isto subsequentemente se transformou numa oportunidade para os países de língua portuguesa manterem alguns laços entre si.

O colonialismo continua a ser uma parte contestada da história portuguesa. Em Lisboa, as propostas recentes para construir um museu do colonialismo foram um ponto de debate entre os estudiosos do país, alguns dos quais escreveram uma carta aberta condenando tal movimento pelo potencial de glorificar o colonialismo. A própria cidade de Lisboa já venera o seu passado colonial através do monumental Monumento das Descobertas e dos seus avanços marítimos através do Museu Marítimo na capital e noutras partes do país, não se limitando à costa sul do Algarve. No início de 2018, um monumento memorial para aqueles que sofreram com a escravidão também foi contestado, sugerindo que o colonialismo português era relativamente tímido. Ao contrário do colonialismo espanhol, que empregava o massacre como seu modus operandi, Portugal usou a assimilação para obter o controle das suas colónias. Neste momento, Portugal tenta redimir-se do colonialismo, estendendo o apoio aos migrantes que chegam através do que foi chamado recentemente de “Crise dos Refugiados” na Europa. Os efeitos a longo prazo desta tentativa de construir uma economia em recuperação ainda estão para ser vistos.

O debate sobre migração em Portugal não é, portanto, novo. Existem modos multifacetados em que Portugal se apresenta como um destino para os migrantes. É contra este pano de fundo que devemos considerar os movimentos das pessoas e entender quem ocupa que aspecto da vida em Portugal. As nacionalidades propostas para este estudo oferecem uma diversidade única de economias tipicamente mais ricas. A retórica da migração é muitas vezes focada em fluxos Sul-Norte, com uma noção de que os pobres do Sul se movem por razões económicas ou sociais para o Norte “rico”. Pouca atenção é dada ao movimento das elites para o norte, por exemplo, e às complexidades em relação a quem viaja de onde e com que finalidade.