Passaram 10 anos desde a crise financeira europeia de 2008. Em 2011, o pedido de Portugal de assistência financeira através de empréstimos no valor de 78 mil milhões de euros da UE e do FMI veio com directivas da Troika para implementar medidas de austeridade. Sob o governo de direita, essas políticas foram implementadas rapidamente, apesar do efeito incapacitante que teria sobre a população, originado também pelo corte de gastos em serviços públicos, incluindo saúde. A insatisfação com tais políticas foi particularmente visível na onda de protestos em Lisboa.

As repercussões da crise refletiram-se em medidas de austeridade implementadas no país, deslocando muitas pessoas em busca de empregos para outros países da UE ou para mais longe. No entanto, após a eleição de um governo socialista de esquerda, o afastamento da austeridade teria provocado uma melhora drástica na economia. Em 2017, Portugal havia reembolsado os seus empréstimos de resgate. A rejeição da austeridade e o investimento em empresas sociais ajudou a melhorar a situação. Concomitantemente, foi também o florescimento de outra indústria que apoiou esta mudança, nomeadamente o turismo. Em 2017, Portugal registou 12,7 milhões de turistas internacionais, um terço dos quais em Lisboa. Lisboa, em particular, tornou-se um centro de atracção não só para os que procuram lazer, mas também para quem procura emprego no sector do turismo. O custo de vida relativamente baixo, comparado ao restante da Europa Ocidental, é outro ponto de atração. Lisboa continua a atrair jovens em massa que optam por ficar por períodos prolongados de tempo devido ao fascínio do local. Simultaneamente, os jovens portugueses já abandonavam o país em busca de empregos mais bem remunerado mesmo antes da crise. Este declínio na população do país deu origem a que o primeiro ministro, Antonio Costa, tenha pedido um empurrão na imigração para o país, particularmente de mão de obra qualificada.

Apesar das implicações positivas do turismo que, aparentemente, resultam em imigração para o país por longos períodos de tempo, essas mudanças também vêm com alguns avisos. À medida que as pessoas migram e visitam a cidade, levantam-se questões sobre a sustentabilidade de tal indústria, incluindo se o país considerou problemas de excesso de turismo. De qualquer modo, Portugal emergiu da crise. Resta saber se o turismo levará o país a um utópico ou distópico “admirável mundo novo”.