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Mês: March 2018

Quem é Portugal na geografia das migrações contemporâneas?

Tal como outros países europeus Portugal tem uma longa história de emigração que remonta ao passado colonial. A imigração, por sua vez, é um fenómeno relativamente recente. Depois da imigração ter superado a emigração durante quase três décadas, com início em 1974, assistiu-se a um défice migratório crescente a partir de meados dos anos 2000. Portugal é a partir de 2011, novamente, um país de emigração, com valores superiores a 100 mil saídas por ano. Ou seja, a níveis que, na história recente, só têm paralelo com os movimentos populacionais dos anos 60 e 70 do século XX.

Segundo a ONU, Portugal apresentava em 2015 uma taxa de emigração de 22,3% contra uma taxa de imigração de 8,1%, sendo simultaneamente origem de migrações para países mais com economias mais estáveis na Europa – Reino Unido, Suíça e Alemanha – e destino de migrações com origem em Cabo Verde, Roménia e Brasil. Considerando os quatro países analisados no projeto, Portugal não apenas tem a maior percentagem de saídas como se distancia bastante dos restantes neste indicador (Alemanha: 4,9%; Austrália 2,2%; Angola: 1,9%). A mesma fonte indica que do total de portugueses emigrados (2 306 321), 4% estariam na Alemanha (98 464), 1% na Austrália (20 044) e 1% em Angola (15 528). Os dados da ONU registaram a presença de 837 257 imigrantes em Portugal, em 2015, entre os quais os angolanos correspondem a 18% do total dos fluxos (151 273), os alemães a 3% (26 048) e os australianos apenas a 0,1% (1 164).

Portugal: um dos países da União Europeia com menor número de imigrantes

Entre os países da União Europeia (UE28) Portugal ocupa o vigésimo primeiro lugar, com apenas 3.8%, no total de residentes estrangeiros (Observatório das Migrações).

Com a crise europeia dos últimos anos, onde os efeitos da contração económica e do trabalho foram mais acentuados em Portugal do que em muitos outros países da União Europeia, Portugal registou diminuições sucessivas no número de estrangeiros. Porém a partir de 2015, segundo os dados da Eurostat, não só o número de estrangeiros residentes em Portugal voltou a crescer (gráfico 1), como a estrutura das dez nacionalidades mais representativas se alterou (gráfico 2).

Gráfico 1: Migrações internacionais (movimentos permanentes) de e para Portugal, 2006-2016

Gráfico elaborado pelo Projeto Trânsitos, valores do Eurostat, Database on Population and Social Conditions, Demography and Migration (pop).

Apesar da redução registada em relação ao ano de 2015 (- 1.6%) o Brasil manteve-se como a nacionalidade mais expressiva em 2016, representando 20.4% do total de estrangeiros residentes. A seguir aos brasileiros, surgem os cabo-verdianos (9.2%), os ucranianos (8.7%), os romenos (7.7%) e os chineses (5.7%) que cresceram 5.5% face ao ano anterior.

Gráfico 2: Nacionalidades mais representativas de estrangeiros residentes em Portugal

Gráfico elaborado pelo Projeto Trânsitos, valores do SEF.

Por outro lado, há cada vez mais cidadãos de países da União Europeia a escolher Portugal para viver. Os franceses registaram um crescimento de 33.8% em relação ao ano de 2015, e em 2016 ocupavam o nono lugar (2.8%) à frente dos espanhóis (2.8%). Já o Reino Unido ocupava o sexto lugar (4.9%), com um crescimento de 12.5%, ultrapassando Angola (4.3%) e a Guiné Bissau (3.9%). As alterações registadas justificam-se em grande parte pelas aquisições de nacionalidade portuguesa de cidadãos extracomunitários.

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